‘Mamata Dória Connection’ custa mais de R$ 8 milhões aos cofres da TV Cultura


Oito milhões e sessenta e quatro mil reais. Essa é a bagatela paga com os impostos dos cidadãos paulistas ao programa “Manhattan Connection” adquirido no fim do ano passado pela TV Cultura — emissora da Fundação Padre Anchieta que pertence ao Governo de São Paulo.

Os contratos estão disponíveis publicamente no site de editais da Fundação Padre Anchieta.


O valor, no entanto, não é a única coisa curiosa na relação entre a TV Cultura e o programa ligado a Diogo Mainardi, sócio do blog pró-Moro O Antagonista, que agora divide seus afetos também com João Doria.

Conforme o contrato, o programa é representado pela empresa Blend Negócios Divulgação e Editoração Ltda., que curiosamente foi criada em 28 de dezembro, um dia antes do acordo entre as duas partes ser firmado. Esse acordo com a Fundação Padre Anchieta é de 29 de dezembro.

O site de notícias TV Pop, que traz informações sobre o mundo da televisão, registrou que o capital social da Blend é discrepante em relação ao tamanho do negócio firmado. A empresa informa ter apenas R$ 10 mil em seus cofres.

Após a repercussão do assunto durante o fim de semana, Diogo Mainardi tentou explicar o “caso” em um artigo publicado em O Antagonista nesta segunda-feira (5). Segundo ele, o Manhattan Connection é 100% financiado por patrocinadores privados.

“Esses patrocinadores, todos eles captados pela Blend, depositam o dinheiro do patrocínio na TV Cultura, que repassa uma parte para a Blend, conforme estabelecido no contrato de parceria entre as duas empresas. A TV Cultura, portanto, só ganha com isso. Se os patrocinadores privados desistissem de anunciar no programa, ele acabaria no dia seguinte, porque a TV Cultura não é responsável por seu financiamento, nem pelo pagamento dos salários de seus apresentadores. A propósito, nenhum apresentador do Manhattan Connection é sócio da Blend”, escreveu o blogueiro do Antagonista.

Mainardi disse ainda que o Antagonista não tem nada a ver com o Manhattan Connection, exceto por ele, que é sócio do site e recebe salário da Blend por seu trabalho no programa de TV.

A explicação, no entanto, não foi muito efetiva. A hashtag “Mamata Connection” já possui mais de 370 mil menções no Twitter.

“Vejam só, o Manhattan Connection que é o que é, e que só é assistido por Higienópolis (SP) e Leblon (RJ), está na TV aberta, enquanto o Terça Livre está tentando ir para a TV aberta. Agora, estamos abrindo o jogo para vocês de verdade, coisa que o Manhattan Connection e companhia limitada não fazem”, comentou o fundador do Terça Livre, Italo Lorenzon, durante o Boletim da Manhã desta segunda-feira (5).

Ainda de acordo com Lorenzon, estratégias são feitas de maneira sorrateira e sem que ninguém perceba, “porque no fundo eles não dependem dos seus leitores, não dependem de quem está ali, consumindo, dependem de quem paga a conta por trás”.


Via Terça Livre

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