“Eu quero trabalhar com honra, com dignidade. Não vou prender trabalhador”, disse PM abatido na Bahia

Policial Militar Wesley Góes que foi abatido por colegas no Farol da Barra no último domingo, 28


Na manhã desta segunda-feira, 29, o Brasil amanheceu horrorizado com a morte do policial militar Wesley Góes, baleado e morto por colegas em frente ao Farol da Barra, na cidade de Salvador.

O policial baiano chegou ao local por volta das 14h20 deste domingo. Em seguida, ele desceu do veículo em que se encontrava, pintou o rosto de verde e amarelo, e começou a efetuar disparos para o alto e gritar palavras de ordem.

“Eu quero trabalhar com honra, com dignidade. Eu não vou mais prender trabalhador, não entrei na polícia para prender pai de família. Quero trabalhar com dignidade, porque sou policial militar da Bahia” — disse o  soldado, que horas depois viria a ser alvejado.

Parte da imprensa e até a própria Polícia Militar da Bahia estão tratando o caso como um “surto psicótico”. No entanto, alguns pontos importantes necessitam serem tocados.

O primeiro deles é que Wesley Góes tinha 13 anos de corporação e era lotado há 4 anos na 72º Companhia Independente de Policia Militar de Itacaré, no sul da Bahia. Portanto, tratava-se de um militar experiente.

O segundo ponto é que Wesley viajou mais de 250 km até o principal cartão postal da Bahia para realizar tal ato. Portanto, isso nos leva a concluir que ele queria visibilidade.

O terceiro ponto e o mais importante foram as palavras de ordem ditas pelo militar, as quais se contrapõe aos decretos estaduais impostos pelo governador Rui Costa, que há mais de um mês estão obrigando comerciantes de vários seguimentos a manterem suas portas fechadas, além de atingir em cheio outras atividades econômicas. Para garantir o cumprimento desses decretos do governador, a Polícia Militar vem sendo usada ostensivamente contra os trabalhadores.

O último ponto a ser destacado é que o soldado Wesley Góes tem ótimos antecedentes dentro da corporação e, segundo sua família, não tem nenhum histórico de “surtos”.

Após três horas de negociações, o soldado Wesley Góes foi alvejado sob a justificativa de ‘surto psicótico’. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram que policiais militares que acompanhavam a situação ficaram revoltados com a atitude tomada pela corporação. 

Posicionamento da Polícia Militar da Bahia

“A Polícia Militar lamenta profundamente o episódio que ocorreu neste domingo (28), no Farol da Barra, quando todos os esforços foram feitos por um final pacífico durante um possível surto de um PM. O Batalhão de Operações Policiais Especiais adotou protocolos de segurança e o policial militar ferido foi socorrido imediatamente pelo SAMU. A corporação tomou conhecimento ainda de um vídeo do momento em que a imprensa acompanha o fato e é interpelada por um policial militar. A instituição ressalta o respeito à liberdade de expressão e ao trabalho dos jornalistas. O fato será devidamente apurado”.

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